Rafaela Cocal reflete sobre falta de representatividade na TV

Rafaela Cocal interpreta Yandara em "Terra e Paixão"
Rafaela Cocal interpreta Yandara em “Terra e Paixão” (Foto: Reprodução/Instagram)

Rafaela Cocal estreou como atriz em “Terra e Paixão”, escrita por Walcyr Carrasco, com o papel de Yandara, uma jovem da aldeia Guató que sonha em ser modelo. Este papel simboliza muito mais do que apenas sua estreia na TV, Cocal também faz parte do início de maior representatividade na TV.

Quem lembra de “Alma Gêmea”? A novela também de Carrasco em que Priscila Fantin era a protagonista – uma mulher branca que interpretava uma indígena. Apesar das controvérsias, o autor queria representar a violência dos holandeses ao invadir as terras ocupadas por nativos. Assim, Luna era fruto de um abuso. Hoje, “Terra e Paixão” é a primeira novela em horário nobre que contém um núcleo indígena. Seria essa uma espécie de reparação?

Rafaela Cocal é descendente do povoado Wassu Cocal
Rafaela Cocal é descendente do povoado Wassu Cocal (Foto: Reprodução/Instagam)

Para muitos da comunidade é difícil se identificar com histórias, se reconhecerem na TV. Aliás, a representatividade é tão escassa que recorrem muitas vezes às pessoas pretas. Rafaela Cocal, como muitas outras meninas, também enfrentou obstáculos para se reconhecer como a mulher que é hoje.

“Quando eu comecei a assistir mais televisão, filme, acompanhar mais o mundo da moda, eu consegui enxergar isso, que eu não me sentia representada por todas as pessoas. Às vezes as pessoas que eu me via representada nem sempre eram pessoas indígenas, porque até então não tinha pessoas indígenas na televisão. As pessoas que eu me sentia representada eram pessoas negras, porque era o mais próximo que eu tinha de mim”, conta com exclusividade ao MixMe!.

Diferente de Yandara, Rafaela Cocal não é uma menina aldeada
Diferente de Yandara, Rafaela Cocal não é uma menina aldeada (Foto: Reprodução/TV Globo)

Infância de Rafaela Cocal

A jovem também desabafou sobre como a situação vai além da mídia. Rafaela Cocal também não se via entre as colegas do interior de Pernambuco, onde morou por um período. “Então, assim, eu comecei a entender que eu furava a bolha. Não conseguia me enxergar na minha colega do lado. Eu não conseguia ver as minhas dores e as dores delas juntas se unindo, porque eram vivências totalmente diferentes”.

As consequências não poderiam ser outra: a jovem foi duramente afetada por questões, que só foram sendo curadas quando se entendeu na arte. “Por muitas vezes, minha autoestima foi afetada por isso. Foi afetada por esse padrão de beleza que as pessoas sempre colocaram, sobre a questão social também. Minha autoestima foi muito afetada por essas questões que vivi, mas também por falta de eu não saber o que é autoestima”, desabafa.

Inspirações

Ao longo do percurso, Rafaela Cocal conheceu pessoas que lidaram com o mesmo processo. Entre elas está a modelo Dandara Queiroz, que em seu primeiro ano representou dez marcas diferentes no SPFW. Emily Nunes, destaque da marca Diesel, também é um das grandes inspirações e amiga próxima da atriz.

Agora, graças a Deus, eu estou tendo vários encontros lindos. Assim que entrei na moda, eu conheci duas modelos indígenas, que é a Dandara Queiroz e a Emily Nunes. A Emily está lá fora, fazendo desfile para tudo que é marca internacional. A Dandara é atriz também, fez “Histórias Impossíveis’, da Globo. Então, não estou sozinha aqui, eu acho que tem alguém junto comigo. Então, as pessoas que eu consigo me inspirar hoje são pessoas que tô tendo contato agora, sabe?”

Dandara Queiroz e Emilly Nunes são referências como modelos
Dandara Queiroz e Emilly Nunes são referências como modelos (Foto: Reprodução/Instagram)

Além disso, Rafaela contou como é afetada por ter essas pessoas próximas, principalmente sua colega de cena Suyane Moreira. “São pessoas que consigo conversar, elas vão me entender e eu também vou entendê-las, porque são lugares que nos atravessam no mesmo lugar. Então, a gente entende as dores, as conquistas, os sonhos, porque a gente tá no mesmo barco. A gente tá trilhando junto o caminho mesmo”, detalha.

No fim da nossa entrevista, Rafaela Cocal deixou um recado especial para todas que ainda não se encontraram no mundo. Muitas que transbordam sonhos, mas que ainda não tem confiança suficiente em si:

“Eu sempre digo que sonhar é muito difícil. Por várias questões, por questões que as pessoas não acreditam na gente, pelas questões que o mundo nos oferece, porque entrar em um lugar que já está ocupado por uma grande maioria é difícil. Eu acho que o mundo cada vez mais está mudando, a gente está mudando, as coisas estão evoluindo, em pouquinho em pouquinho, mas estão evoluindo.

Então, eu acho que essa questão indígena da ancestralidade, da gente se sentir tão ligado com a natureza, com as forças maiores, eu acho que elas nos levam a lugares melhores também. Então, acho que acreditar em nós mesmos é o primeiro passo. Acreditar na gente, acreditar no que a gente carrega e na mensagem que a gente quer levar para o mundo.

Não vai ser fácil, vai ser difícil, vai ter gente pra caramba, esperando que você não chegue lá, mas acreditar e confiar em todos, em toda a nossa ancestralidade, em todos aqueles que se foram pra gente estar aqui hoje.”

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