Operação Lesa Pátria: major é preso após investigações de 8 de janeiro

Major da Polícia Militar Flávio Silvestre Alencar é preso por omissão nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro
Major da Polícia Militar Flávio Silvestre Alencar é preso por omissão nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro (Montagem: Reprodução)

Operação Lesa Pátria: major é preso após investigações de 8 de janeiro

Preso na 12ª fase da operação “Lesa Pátria”, iniciada na última segunda-feira (23), pela Polícia Federal (PF), o major da Polícia Militar Flávio Silvestre Alencar disse em um grupo de conversas de militares que “na primeira manifestação, é só deixar invadir o Congresso”. A mensagem foi enviada em 20 de dezembro, antes dos ataques terroristas do dia 8 de janeiro, quando as sedes dos três poderes da República foram depredadas.

As mensagens foram encontradas no celular de outro policial, o tenente Rafael Pereira Martins, que havia sido preso em fevereiro, na 5ª etapa da investigação. À época, Flávio também foi detido pelos investigadores. A conversa ocorreu em um grupo chamado “Oficiais PMDF”. Na troca de mensagens, os policiais comentavam sobre possíveis manifestações em Brasília. Em um momento da conversa, Flávio diz que, em caso de protestos, era para deixar invadir o Congresso Nacional. No fim do texto, ele enviou “kkk”.

Investigação

Na terça-feira, além de prender Flávio, os policiais cumpriram três mandados de busca e apreensão e apreenderam duas armas com ele: uma funcional e outra que ele adquiriu em 18 de maio. Os mandados foram expedidos pelo STF. Além disso, um policial aposentado foi alvo de buscas. Os investigadores apreenderam duas armas ilegais com ele.

De acordo com a corporação, o objetivo dessa fase da investigação é identificar pessoas que participaram, financiaram, omitiram-se ou fomentaram os ataques na capital. Os crimes investigados são: 1) Abolição violenta do Estado Democrático de Direito; 2) Golpe de Estado; 3) Dano qualificado; 4) Associação criminosa; 5) Incitação ao crime e 6) Destruição e deterioração ou inutilização de bem especialmente protegido.

Omissão do Major Flávio Silvestre Alencar

No dia 8 de janeiro, Flávio foi flagrado, por uma câmera de segurança, em um carro da corporação que escolta outros veículos para longe da grade de contenção que impedia os bolsonaristas de avançar até o prédio do Supremo Tribunal Federal (STF). No dia dos ataques, o militar comandava o 6° Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, responsável pela Praça dos Três Poderes e Esplanada dos Ministérios, cobrindo férias do titular. Flávio já havia sido preso em fevereiro, na quinta fase da operação.

De acordo com a Polícia Federal, o major aparece em imagens feitas pela Polícia Judicial do STF. O vídeo mostra quando ele desceu do carro, se dirigiu à Tropa de Choque e sinalizou para que os policiais deixassem o local. Imediatamente, os militares entraram nos carros e começaram a deixar o local. Cerca de dez minutos depois, os golpistas avançaram em direção ao Supremo, sem resistência.

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