Por que ‘Renaissance,’ de Beyoncé, já é o grande álbum de 2022

“Eu trago alívio (Sim) / Trago essa batida (Sim) / Agora posso respirar novamente (Sim)”, dizem os versos de “I’m That girl”, faixa que abre ‘Renaissance’, mais novo álbum de Beyoncé. As palavras servem como um anúncio do que se propõe a obra. Extravasar toda tensão e angústias na pista de dança.

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Beyoncé
Capa de ‘Renaissance’, sétimo álbum de Beyoncé. Foto: divulgação.

Renaissance é tudo o que Beyoncé poderia oferecer de melhor ao público depois de dois anos de pandemia e caos social e político em todo o mundo. Um brinde através do resgate da disco music e do house celebrando as suas origens nas mãos de artistas negros e LGBTQIAP+.

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Após o aclamado ‘Lemonade’ (2016), a estrela se aventurou por projetos em conjunto com seu marido Jay Z (Everything is Love – 2018) e um experimento com sons e elementos de culturas africanas na reinterpretação de ‘O Rei Leão’ (The Gift – 2019). 

No entanto, muito se especulou e muitas expectativas se formaram em torno da volta da cantora à sua discografia oficial. ‘Renaissance’ surpreende e supera estas expectativas com um retorno ao pop dançante que, apesar de beber de referências do passado, é o que soa de mais vibrante e contemporâneo no cenário atual.

Um disco feito para se ouvir do início ao fim sem parar de dançar. Com transições perfeitas entre as 16 faixas que soam tão fluídas e leves que não se sente a duração de mais de uma hora e tornam extremamente difícil resistir a tentação de ouvi-las em looping.

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Foto: Divulgação.

Apesar de ter voltado com uma estratégia de lançamento mais tradicional para seu sétimo álbum, Beyoncé ainda assim não cede a todas às exigências da indústria. Com músicas consideradas longas para os padrões atuais, sem muita interação nas redes sociais e, até o momento, sem clipes, ela aponta o foco principal para o som e mostra a força que tem ao figurar no top 10 da Billboard nos EUA.

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“I’m That girl” abre o álbum como um aquecimento para o que está por vir. Uma introdução quente e sensual que prepara o terreno para “Cozy” que já cai com tudo na pista de dança e celebra a força e a renovação: “Ela é um deus, ela é uma heroína / Ela sobreviveu a tudo o que ela passou.”

Em “Alien Superstar”, Beyoncé domina as batidas eletrônicas e entrega uma interpretação deliciosa com uma referência bem humorada ao hit dos anos 1990 “I’m Too Sexy”, do Right Said Fred. “Cuff It” conta com a luxuosa guitarra de Nile Rodgers, fazendo um som disco elegante.

“Energy” traz de volta elementos de ritmos africanos explorados em ‘The Gift’, com a participação do cantor jamaicano Beam. A faixa faz a ponte perfeita para o single “Break My Soul” um house que tem poder para funcionar como um hino da atual geração e uma ode a o gênero com os samples de big freedia e Robin S

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“Church Girl” traz um clima nostálgico que remete ao início da carreira da artista com o Destiny’s Child, trazendo de volta elementos do hip hop e do R&B. “Plastic off the Sofa” é a faixa que mais se aproxima de uma balada romântica no álbum, com uma interpretação suave e delicada.

“Virgo’s Groove” volta com tudo para a disco-music com um show de harmonias vocais e sobreposições de voz. “Move” traz um já histórico encontro entre Beyoncé, Grace Jones e a jovem Tems. As três se juntam para um encontro futurista entre o pop eletrônico e o pop africano. “Pure/Honey” é uma celebração a cultura Ballroom, Bailes realizados pela comunidade LGBTQ de Nova York e que são um marco cultural da cidade.

Foto: Divulgação
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 “America Has a Problem” surpreende ao resgatar o Miami bass, base rítmica que deu origem ao funk brasileiro. Já dá para imaginar Beyoncé no paredão do Furacão 2000. Summer Renaissance encerra com um sample do clássico “I feel Love” de Donna Summer, trabalhado aqui de uma forma totalmente original.

Em Renaissance, Beyoncé retorna com força total para o pop, porém, ainda assim, se diferenciando de tudo o que está em voga no cenário atual e entregando um álbum impecável e vibrante que usa de referências da carreira da própria artista e de grandes nomes pretos da dance music para soar inteiramente contemporâneo.

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Rafael Lima

Jornalimo pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). Possui passagem por assessoria de comunicação e produção de críticas musicais desde 2020 em redes sociais. Apaixonado pelo universo e cultura pop, pesquisa e produz conteúdo para o nicho desde 2019.

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