Xênia França confirma que é um dos grandes talentos da nova MPB em ‘Em Nome Da Estrela’

Cinco anos após o aclamado “Xenia” (2017), Xênia França retorna com “Em Nome da Estrela“, o segundo álbum da sua carreira solo. A obra é diretamente oposta ao seu antecessor, mas mantém a estética afrofuturista e a riquíssima bagagem da musicalidade brasileira, sendo uma evolução natural do trabalho da cantora baiana. 

publicidade
Xenia França
Capa de ‘Em Nome da Estrela’, segundo álbum de Xenia França. Foto: Gleeson Paulino/Divulgação.

Se em seu álbum de estreia a artista trabalhou com elementos que remetiam a um clima noturno e uma ambientação mais obscura e soturna, em “Em Nome da Estrela” ela parte para uma abordagem mais solar, com reflexões existencialistas e um olhar delicado da autora para aspectos da vivência negra no Brasil.

publicidade

Passado e futuro se entrelaçam aqui de uma forma muito fluida e coesa. A ancestralidade africana e o legado da MPB servem de alicerce para dar forma a uma sonoridade que olha para a frente e vislumbra novas possibilidades de existências e de traduzir sentimentos e experiências do presente. 

Aqui, a vivência negra brasileira é abordada de uma forma que foge do olhar apenas para as dores, as angústias e as injustiças provocadas pelo racismo e parte para um lugar de esperança, celebração, sensibilidade e novas perspectivas de realidade para o futuro.

Também não dá para olhar para o disco fora do contexto da pandemia de Covid-19. Apesar de a obra não abordar diretamente o tema, as 12 faixas são impregnadas de um sentimento de autoconhecimento, de redescoberta, de um novo olhar para a vida e uma abertura para o que está por vir. 

publicidade
Xenia França
Foto: Gleeson Paulino/Divulgação.

Renascer” foi o primeiro single revelado do álbum e é a faixa que o abre. A belíssima letra faz uma boa síntese do que vem adiante e traz uma olhar muito íntimo e delicado da compositora. “Quando nada mais faz sentido / Só confio na força / Que trago comigo / Então sigo reexistindo / E renascer é preciso / Peço coragem pra despir / O que não cabe em mim“, diz a letra.

Interestelar” parte para um lado mais místico e mitológico, com uma temática transcendental e marcada pela presença forte da  percussão. “Futurível” é uma excelente releitura da canção de Gilberto Gil lançada em 1969 e que encaixa perfeitamente na atmosfera de “Em Nome da Estrela”.

publicidade

Dádiva” é uma composição de Luiza Lian, que mostra uma impressionante sinergia entre ela e Xenia. Um encontro repleto de poesia e luminosidade. “Ancestral Infinito” é um dos momentos em que mais fica marcada a ponte entre o passado, o presente, o futuro e o impacto da intersecção entre eles na vivência da cantora.

Ânimus x Anima” traz a excelente contribuição do arranjador e compositor Arthur Verocai para refletir sobre a ambiguidade e os lados opostos e complementares do ser humano. “Se a outra metade se fecha, não posso existir / Ninguém ganha essa briga e se perde na dor sem sentir.”

Em “Já é” Xenia traz Rico Dalasam para o universo do disco e os dois fazem uma ótima junção entre “Em Nome da Estrela” e “Dolores Dala Guardião do Alívio” (2021). “Magia” encerra com uma versão moderna e mística para a faixa lado B do primeiro álbum de Djavan (A Voz. O Violão. A Música de Djavan – 1976).

publicidade

Em “Em Nome da Estrela”, Xenia França dá continuidade à trajetória iniciada há cinco anos, unindo a raiz africana da música brasileira com o jazz, o blues e o r&b e vislumbrando um futuro iluminado. Um álbum delicado e, ao mesmo, tempo repleto de profundidade e reflexões a respeito da vida no presente e através dos tempos.

Clique aqui e aperte o botão "Seguir" para você ser o primeiro a receber as últimas informações sobre este assunto no seu celular!

O que você achou? Siga @mixmebrasil no Instagram para ver mais e deixar seu comentário clicando aqui

Rafael Lima

Jornalimo pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). Possui passagem por assessoria de comunicação e produção de críticas musicais desde 2020 em redes sociais. Apaixonado pelo universo e cultura pop, pesquisa e produz conteúdo para o nicho desde 2019.

Veja mais ›
Fechar