Lizzo volta com força total em ‘Special’, seu segundo álbum

Após um trabalho que explode para todo o mundo e te coloca em um alto patamar no cenário pop global, é natural que um artista caia na armadilha de repetir a fórmula em um segundo disco. Não é o caso de Lizzo. Com sua personalidade e carisma ímpar, a cantora consegue manter a criatividade em “Special“.  

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Lizzo
Capa de Special, segundo álbum de Lizzo. Foto: divulgação.

Apesar de seu segundo álbum ter muitas semelhanças e seguir um caminho parecido com o de “Cuz I Love You” (2019), obra antecessora que alçou a cantora ao topo das paradas, ele tem seu próprio charme e soa como uma continuidade natural de uma trajetória que já era promissora.

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Em um tempo em que o discurso de positividade e autoaceitação é frequentemente distorcido e esvaziado, Lizzo consegue trazer a temática para sua música da forma mais honesta e autêntica possível. Ao longo das 12 faixas, assim como uma amiga próxima, a artista faz a gente dançar, esquecer as inseguranças e se sentir bem consigo mesmo. 

Se em ‘Cuz I Love You’ a artista de 34 anos nos brindava com uma releitura pop da soul music, do hip hop e do r&B, em “Special”, ela entra no resgate da disco music e dos sons dos anos 1980, que está em alta nos últimos tempos, porém do seu próprio jeito, fugindo de meras repetições.

Aqui, a cantora natural do estado de Michigan, nos Estados Unidos, se volta para nomes como Prince, Michael Jackson, George Michael, Diana Ross, Janet Jackson e um verniz que lembra Nile Rodgers. Tudo isso sem soar puramente nostálgico e se conectando com o que há de mais contemporâneo.

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O álbum abre com “The Sign”, faixa em que Lizzo anuncia seu retorno, celebra sua volta a ativa desde o início da pandemia de Covid-19 e a superação de momentos difíceis, com o seu humor contagiante e inconfundível. 

Em “About Damn Time”, single que antecipou a chegada da obra, ela cai em um disco-funk que nos arrasta para a pista de dança e avisa que não está mais disposta a se sentir mal: “estive tão pra baixo e sob pressão / Sou bonita demais para ficar estressada assim”.

Grrrls” é uma resposta debochada e puxada para o hip hop aos versos misóginos de “Girls”, dos Beastie Boys. “2 Be Loved” reproduz o melhor do pop dançante e chiclete dos anos 1980, explodindo em um refrão forte que te convida a cantar junto logo na primeira audição.

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I Love You Bitch” é um canção romântica, porém divertida por estar impregnada do humor característico da cantora. A faixa-título é um exercício de auto-estima em que Lizzo fala sobre o desafio de ser uma estrela fora dos padrões estéticos e faz questão de lembrar a si mesma o quanto é especial.

Everybody’s Gay” é uma celebração à disco music e a forma como ela serve de refúgio para todos que de alguma forma estão à margem da sociedade: “É um lugar feliz aqui, baby, você está seguro / Podemos tirar nossa máscara”. O título é um trocadilho com o significado da palavra “Gay”, que em inglês pode ser “alegre”.

Em “Naked” é uma belíssima balada R&B em que a artista se mostra inteiramente despida de pudores e expõe seu corpo de forma delicada, sensual, ao mesmo tempo em que revela o seu lado mais vulnerável e íntimo. “Coldplay” encerra com uma história romântica costurada através de referências a músicas da banda britânica.

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Em “Special” Lizzo prova que não está disposta a cair nas armadilhas de padronização da indústria e entrega um álbum contagiante e refrescante que traz de volta tudo o que nos fez apaixonar por ela desde sua ascensão em 2019. Um bom reforço a um cenário morno da música pop nos EUA.

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Rafael Lima

Jornalimo pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). Possui passagem por assessoria de comunicação e produção de críticas musicais desde 2020 em redes sociais. Apaixonado pelo universo e cultura pop, pesquisa e produz conteúdo para o nicho desde 2019.

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