Influencer acusa rapper de abuso sexual; entenda polêmica

A influencer, conselheira sexual e doula Juliana Thaisa fez graves acusações de abuso sexual que teria sofrido do rapper Edi Rock. Em seu perfil no Instagram, nesta terça-feira (21), a influenciadora divulgou prints, textos, e vídeos para fazer as denúncias.

publicidade
Influencer Juliana Thaisa acusa Edi Rock de abuso sexual; rapper nega (Fotos: Reprodução/Instagram)
Influencer Juliana Thaisa acusa Edi Rock de abuso sexual; rapper nega (Fotos: Reprodução/Instagram)

“Eu tô exausta. Exausta de viver no automático por não ter a opção de parar. Exausta de tentar sustentar o mundo desmoronando na minha cabeça. Exausta de dar conta de tudo sozinha, sem rede de apoio, sem nada, só eu, minha filha e nossa espiritualidade. Ai de mim se não fosse EXU. Exausta de ouvir que tenho que ser forte, que tenho que manter a calma, que sou uma guerreira. Exausta de relações descartáveis. Exausta de abandono, indiferença e trairagem. Exausta de feminismo e militância de internet”, disse ela iniciando o desabafo.

publicidade

“Exausta de lavar o rosto, passar maquiagem e gravar vídeo, porque o corre não pode parar. Exausta de crises de ansiedade e pânico. Exausta de caminhar sem saber pra onde ir. Exausta de ter meus sonhos barrados pelas inúmeras violências que minaram minha energia pra dar vida a tudo que eu sonhei. Exausta de pedir ajuda, sendo que eu não suporto pedir ajuda, porque sempre me custa caro demais. Exausta de tanta violência, de um mundo injusto, patriarcal, misógino e opressor. Exausta de ver tantas lutas e mulheres morrendo com elas”

“Eu tô um caos, eu tô exausta, eu não consigo sequer trabalhar Estou desde março sem atender por causa das sequelas de uma violência que destruiu a minha vida. Estava bem, me recuperando das sequelas de outras violências, e quando veio mais essa última eu me lasquei todinha. Vivendo de forma funcional, sem poder parar porque eu tenho uma filha incrível que merece ser cuidada da melhor forma possível, e por ela eu me mantenho sã, forte e de pé.”

“Cansada de me perguntar se um dia isso tudo acaba, se realmente existe uma vida leve diante de 27 anos de violência física e sexual, porque car**** começou aos 6 anos e não parou nunca mais. Cansada de militância, porque chega uma hora que você não tem mais força pra nada a não ser cuidar de si mesma, e na condição de mãe solo, cuidar do meu grudinho”, completou Juliana.

publicidade

Juliana segue, relatando que o fato de também ter sido alvo de abusos sexuais e físicos por muitos anos e ainda carregar essas dores, fez com que ela se sentisse incapacitada de de atender outras vítimas.

“Nos últimos atendimentos que fiz em fevereiro e março, fui me dando conta que não tinha mais condições de atender, de oferecer uma escuta de qualidade para as mulheres que relatavam suas questões em relação a sexualidade, de escutar relatos de abuso e fazer cara de paisagem estando sangrando, porque ali eu estava pra acolher e não pra pensar nas minhas dores. Tiveram várias vezes que eu desmarquei atendimento em cima da hora e inventei qualquer coisa pra não ter que falar q foi por causa das crises de ansiedade.”

“Só de pensar em tocar no corpo de uma mulher, ou de chegar pra atender e ouvir mais um relato de abuso, já me dava pânico. Semana passada eu resolvi voltar a atender, abri agenda SP e Rio e adivinha? ANSIEDADE A MILHÃO. Não dá, Thaisa, você não pode limpar o sangue de alguém estando sangrando, você não pode acolher um relato de abuso estando toda sequelada por ter sido abusada inúmeras vezes. Hoje o caso da criança estuprada e torturada pela justiça sendo impedida de fazer o aborto LEGAL, foi um BAITA GATILHO. Se fazem isso com uma criança vão fazer justiça pra mulher adulta?! Nunca!”

publicidade

A influencer desabafa ainda sobre a dificuldade de ser ouvida e de conseguir justiça.

“HOJE eu tô deixando a militância, o Feminismo será praticado na minha conduta diariamente, sem que eu fique tentando lutar. Eu não quero mais lutar, eu não quero mais fazer justiça, porque NÃO EXISTE JUSTIÇA NESSE PAÍS. Tem um pouco mais de 1 ano que fui violentada, e na época eu não expus pra preservar a minha filha, fiquei com MEDO. E a pouco tempo decidi expor tudo, tanto as violências do núcleo familiar, como a violência do cantor de rap. Eu tô cansada de conversar com jornalista, de buscar ajuda na mídia, de verbalizar inúmeras vezes TODO ocorrido e reviver as minhas dores, inclusive em dias seguidos e as vezes mais de uma vez por dia. Pra no final, ouvir ‘a direção não autorizou a denúncia pq o inquérito foi arquivado’. MAIS DE 90% DOS ESTUPROS NO BRASIL NÃO SÃO CONDENADOS. A MAIORIA DOS ABUSOS ACONTECEM CLANDESTINAMENTE.
EU SÓ TENHO DUAS MÃOS, UMA EU USEI PRA TENTAR SEGURAR AQUELE NOJENTO, E A OUTRA PRA SEGURAR MINHA CALÇA QUE ELE TENTAVA ABAIXAR. Queria o que? Que eu tivesse filmado? Eu não pude nem gritar pra não acordar minha filha e traumatiza-la. INFERNO! Estou cansada de pedir ajuda pra mídia, cansada de ver todos os processos de violência que eu tenho, ARQUIVADOS. NÃO TEVE UM, UM SEQUER, que o agressor foi responsabilizado. EU FUI INVALIDADA EM TODOS OS PROCESSOS.”

publicidade

“E quem quiser me julgar, culpar, ofender e todo o repertório que já conhecemos, porque diante dessa sociedade nojenta, a mulher sempre é ‘culpada’. Eu NÃO TÔ NEM AÍ. QUEM TEM BOCA FALA O QUE QUER. E ninguém tem que achar NADA, porque quando doeu quem sentiu fui EU. Quem tá fazendo das tripas coração pra se manter de pé sou EU. E não, eu não tenho que ser menos gostosa, menos inteligente, não tenho q me expor menos, não tenho que deixar de trabalhar com sexualidade, não tenho que deixar de falar sobre sexo, não tenho que ser menos em NADA pra não ser violentada. NÃO É NÃO! Mas essa antiguidade caindo aos pedaços não aceitou ser rejeitado. Não aceitou ouvir EU NÃO QUERO VOCÊ!”

Nos posts seguintes, a influenciadora mostrou uma imagem do boletim de ocorrência que foi aberto, prints de uma conversa com sua irmã e até de uma suposta ligação que teria recebido de Edi Rock no dia seguinte ao abuso sexual. Juliana ainda relatou em vídeos que Edi Rock se recusava a deixar o edifício onde ela mora.

influencer abuso
Influencer, conselheira sexual e doula, Juliana Thaisa, acusa o rapper Edi Rock de abuso sexual; o artista nega. Foto: reprodução/Instagram.
publicidade
influencer abuso
Influencer, conselheira sexual e doula, Juliana Thaisa, acusa o rapper Edi Rock de abuso sexual; o artista nega. Foto: reprodução/Instagram.
influencer abuso
Influencer, conselheira sexual e doula, Juliana Thaisa, acusa o rapper Edi Rock de abuso sexual; o artista nega. Foto: reprodução/Instagram.
influencer abuso
Influencer, conselheira sexual e doula, Juliana Thaisa, acusa o rapper Edi Rock de abuso sexual; o artista nega. Foto: reprodução/Instagram.
publicidade
influencer abuso
Influencer, conselheira sexual e doula, Juliana Thaisa, acusa o rapper Edi Rock de abuso sexual; o artista nega. Foto: reprodução/Instagram.

“Existem VÁRIAS filmagens da câmera de segurança do prédio, e só eu sei a humilhação que eu passei pra conseguir essas imagens. Laudo psicológico, até porque no dia seguinte eu solicitei uma sessão de emergência, BO, print pedindo socorro, print das ligações dele mesmo após o ocorrido porque ele ainda ficou atrás de mim. INQUÉRITO ARQUIVADO E EU NÃO FUI OUVIDA. EU NÃO FUI OUVIDA, EU NÃO FUI OUVIDA, EU NÃO FUI OUVIDA. ELE NEGOU, E PALAVRA DELE FOI VALIDADA. O SISTEMA É PATRIARCAL, MACHISTA, MISÓGINO E OPRESSOR”

O que você achou? Siga @mixmebrasil no Instagram para ver mais e deixar seu comentário clicando aqui

“A justiça sabe que acontece clandestinamente, e mesmo assim, arquivou o inquérito sem que eu fosse ouvida. Porque todas as provas não foram o suficiente. Queria o quê? Que eu filmasse ele tentando me levar a força pro banheiro e tirar a minha roupa. Que momento eu ia conseguir fazer isso? Que ÓDIO”, ainda desabafou ela, que falou que teme por sua vida.”

“Se acontecer alguma coisa comigo, investiguem o EDI ROCK. Existe um drive com todas as provas que não foram o suficiente para o Ministério Público. As pessoas certas já tem acesso, caso aconteça alguma coisa comigo”

“Juliana diz que suas denúncias não foram levadas em conta por ela não ter imagens do suposto abuso sexual. “Existem uma série de provas, mas todas invalidadas porque nenhuma é um vídeo da violência em si, PORQUE ISSO É IMPOSSÍVEL, VIU, PROMOTOR?!!!”.

Em seu Twitter, Edi Rock negou todas as acusações.“Salveee família! Sobre as acusações contra mim nas redes, já foi comprovado pela justiça que é MENTIRA! Os fatos expostos tornaram a narrativa apresentada ilegítima e caluniosa. Meus advogados cientes, tomaram as medidas cabíveis. Atenciosamente: Edivaldo Pereira Alves.”

“Tenho todos os prints das nossas conversas, do início desde que ELE veio falar comigo, até o último contato. Nossas conversas tinham sim, interesse mútuo, conotação sexual, mesmo eu NÃO afirmando que ficaria com ele por vários motivos. Mas eu era a fã emocionada, e queria o contato, a amizade que só existia na minha cabeça. O famoso ‘tenho interesse, mas vamos ver se pessoalmente eu vou querer, e se eu não quiser, é claro que podemos ser amigos. Afinal, é o Edi Rock, sou fã né’. Eu fui uma otária em confiar nesse nojento. Falou que ia passar só pra dar um oi, que ia ser rápido, um oi e ia embora pra gente se ver outro dia quando eu não estivesse com a minha filha… E TOCOU O TERROR DENTRO DA MINHA CASA. FLERTE NÃO É PASSE LIVRE PRA ABUSO SEXUAL, ASSÉDIO E AFINS.”

“Assim que eu puder, eu venho contar como TUDO começou, como tudo aconteceu, todos os detalhes. Agora eu preciso descansar. Pois ainda tenho que cuidar de proteger a mim e a minha filha. NÃO ESTAMOS SEGURAS. Ufa, finalmente. Foram 386 dias em silêncio”, encerrou Juliana Thaisa, que mais tarde, postou mais detalhes das acusações em uma série de vídeos.

Rafael Lima

Jornalimo pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). Possui passagem por assessoria de comunicação e produção de críticas musicais desde 2020 em redes sociais. Apaixonado pelo universo e cultura pop, pesquisa e produz conteúdo para o nicho desde 2019.

Veja mais ›
Fechar