‘Honestly, Nevermind’: Drake faz uma necessária, porém instável mudança

Ao longo da última década, Drake construiu um império a partir de álbuns extensos que pareciam mais com playlists, e funcionavam como tal, tendo como foco principal, dominar as plataformas de streaming. “Honestly, Nevermind“, mais novo álbum do canadense, é o primeiro passo, ainda inconstante, para fora dessa fórmula.

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Drake
Capa de ‘Honestly, Nevermind’, novo álbum de Drake. Foto: reprodução.

Quando lançou “Certified Lover Boy“, em 2021, Drake dava flagrantes sinais de que estava sentindo o desgaste desse modo mecânico de produzir música, que o tornou o artista mais ouvido no Spotify, na história do serviço de streaming. Com faixas insossas e repetitivas, o cansaço era o que dava o tom do álbum.

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“Honestly, Nevermind” chega com o objetivo de marcar o início de uma nova fase na carreira do rapper. Com um lançamento anunciado a apenas 90 minutos antes de acontecer, o álbum surpreende não só pela chegada repentina, mas também por ser o mais ousado e experimental da carreira do artista até então. 

Na obra, o artista faz cruzamentos entre o hip hop, o R&B e a House Music. Ao longo de 14 faixas, algo surpreendentemente sucinto para os padrões do astro, ouvimos uma sequência de músicas dançantes, que ganham a atenção pelo esforço em revelar ao diferente do padrão insosso que já estava tão cristalizado pelo artista.

Drake
Foto: divulgação
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No manifesto que acompanhou o lançamento do álbum, Drake faz um desabafo, um tanto caótico, sobre como estava enxergando sua carreira e sua vida no ponto em que está, e deixa claro o caminho que o levou a trazer para o mundo uma quebra de expectativas tão forte. 

“Eu deixei minha humildade se tornar dormência às vezes, deixando o tempo passar sabendo que eu tinha o vigor para encontrá-lo em outro tempo.”, diz ele logo no início. “Eu não me lembro da última vez que alguém colocou o celular pra baixo, me olhou nos olhos e me perguntou o que eu acho dos tempos atuais”, escreve em outro trecho.

“Eu cheguei aqui sendo realista. Eu não cheguei aqui sendo cego. Eu sei o que são as coisas e especialmente o que e quem está do meu lado”, afirma, já se encaminhando para o final. Todos esses sentimentos expressos nestes trechos, podem ser percebidos de diferentes formas em “Honestly, Nevermind”.

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Apesar de partir desse espírito de renovação, o álbum é bastante inconstante e não está totalmente bem resolvido com os caminhos que ele se propôs a percorrer. Há momentos em que a experiência de Drake com o House se mostra empolgante e rende bons frutos. Muito da obra, porém, sofre com ideias genéricas e cansaço.

Currents” e “A keeper” são ótimos momentos em que o artista consegue se equilibrar bem entre o ritmo eletrônico dançante e o B&B, ao mesmo tempo que dá um toque de melancolia e despeja suas mágoas. “Eu encontrei uma nova musa / Isso é uma má notícia para você / Por que eu iria te manter por perto?”.

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Em “Sticky” ele desabafa sobre lembranças da família e conflitos com pessoas e situações da vida de glamuor e sexo, tudo isso embalado por uma batida e interpretação envolventes. “Massive” é um dos melhores momentos, a roupagem eletrônica dá o tom para um misto de vulnerabilidade e uma autoconfiança confusa.

Em outros momentos a tônica do álbum perde o equilíbrio. A mistura entre o hip hop e o eletrônico se desencontra, e perde força, como no caso de “Texts Go Green“. Entre as últimas faixas, o rapper parece entrar no piloto automático e caí no marasmo e na repetição. Com exceção da última, “Jimmy Cooks“, com participação de 21 Savage e um comentário sobre Will Smith

Honestly, Nevermind” tem o mérito de representar uma tentativa de renovação de Drake e uma procura por novos caminhos na música. No entanto, o álbum tem altos e baixos e soa inconsistente. A sensação que fica é que o disco serve como uma preparação para algo futuro, com boas chances de maior maturidade.

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Rafael Lima

Jornalimo pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). Possui passagem por assessoria de comunicação e produção de críticas musicais desde 2020 em redes sociais. Apaixonado pelo universo e cultura pop, pesquisa e produz conteúdo para o nicho desde 2019.

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