Exclusivo: Do além, The Weeknd traz uma coletânea de hits em ‘Dawn FM’

Depois de fazer história com ‘After Hours’ (2020), The Weeknd está mais maduro e seguro do que nunca do artista que ele é. Se no álbum anterior o canadense já era apontado como herdeiro de Michael Jackson, em ‘Dawn FM’ ele honra como ninguém o legado do rei do pop e vai além. 

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The Weeknd Dawn FM Crítica
Dawn FM é o quarto álbum da carreira de The Weeknd e sucessor de ‘After Hours’. Foto: Divulgação.

Em seu novo trabalho, Abel Tesfaye renova a sua mistura de um synth-pop que bebe diretamente da fonte dos anos 1980, com letras melancólicas e sombrias, aqui, com um toque de existencialismo. O resultado é uma coletânea de potenciais hits esculpidos em um pop executado com perfeição. 

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A influência de Michael é a mais notável na obra, porém o leque de referências vai muito além. Passando pelo rock inglês, pela new wave, o R&B e a disco music. The Weeknd consegue fazer todo esse apanhado sem perder a mão na nostalgia e sem ofuscar a sua personalidade.

‘Dawm FM’ se apresenta como uma rádio FM transmitida de algum lugar do além. O álbum abre com uma introdução apresentada pelo locutor interpretado pelo ator Jim Carrey. Ele apresenta a emissora para The Weeknd que acaba de fazer a passagem e se encontra em uma espécie de purgatório.

A partir daí, o eu lírico começa a passar a limpo a sua vida com uma franqueza afiada. Fazendo uma conexão ousada com o Brasil, esse seria o ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’, clássico literário de Machado de Assis, do astro do pop internacional.

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Esse clima meio filosófico, meio sobrenatural, já começa na capa do álbum, mostrando o rosto envelhecido de The Weeknd, como se estivéssemos vendo ele momentos antes de sua morte. Após a introdução, começam a se desenrolar uma sequência de músicas dançantes e altamente contagiantes. Impossível não mover pelo menos uma parte do corpo. 

Em “Gasoline”, “How do I Make You Love Me?” e “Sacrifice”, se destacam os graves de The Weeknd, com uma performance vocal quase mutante. “Take My Breath”, single lançado no ano passado, aparece aqui em uma versão estendida que faz uma ponte entre os anos 1980 e o pop eletrônico do Daft Punk.

A Segunda parte da obra começa com um interlúdio apresentando um depoimento do lendário produtor musical Quincy Jones, sobre momentos de sua vida que o moldaram. Em seguida vem a sequência de músicas mais melancólicas e confessionais do álbum.

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Em “Out of time”, The Weeknd traz à tona os seus sentimentos mais íntimos. “Here We Go… Again”, com Tyler the Creator, faz uma revisão de toda a trajetória artística do canadense. “Best friends” narra a confusão sentimental de uma amizade colorida. “Is There Somemone Else?” e “Stary Eyes” vão fundo nas desilusões amorosas. 

A terceira parte é introduzida por “Every Angel is Terrifying”, outra narração de Jim Carrey que filosofa sobre a relação entre amor e morte. “Don’t Break My Heart” vem em seguida como mais uma super balada com potencial de hit. “I Heard You’re Married”, parceria com Lil Wayne mantém o clima em alto nível.

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“Less Than Zero” é uma das faixas mais deliciosas de ouvir, uma balada com uma interpretação delicada e um refrão que convida a cantar junto. “Phantom Regret by Jim” é a última participação de Jim, encerrando essa viagem transcendental. 

Com ‘Dawn FM’, The Weeknd abre 2022 entregando um álbum que é o melhor da sua carreira até agora e certamente estará na lista de melhores do ano. Aprimorando seu garimpo da estética e sonoridade do anos 1980, esse projeto vai muito além do apelo nostálgico e traz uma reflexão sem filtros sobre a vida e a morte, e as dúvidas que existem entre as duas.

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Rafael Lima

Jornalimo pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). Possui passagem por assessoria de comunicação e produção de críticas musicais desde 2020 em redes sociais. Apaixonado pelo universo e cultura pop, pesquisa e produz conteúdo para o nicho desde 2019.

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