BaianaSystem se une a Tiganá Santana para gravar poema de Marighella

Foi lançada nesse domingo (05) a música “Canto Para Atabaque”, poema do político Carlos Marighella interpretado por BaianaSystem e Tiganá Santana.

publicidade

A gravação da faixa com poema, que foi musicado por Tiganá, havia sido adiada em 2019 por conta da pandemia de Covid-19, mas com a melhora da situação mundial conseguiu ser concluída.

BaianaSystem
BaianaSystem se une a Tiganá Santana para gravar poema de Marighella (Reprodução)
publicidade

Liberada em todas as plataformas digitais no aniversário de 110 anos de Carlos Marighella, o processo de transformação do escrito em música é rica e carregada de um peso histórico.

Em 2019, a atriz e vereadora de Salvador Maria Marighella convidou o baiano Tiganá Santana para musicar o poema de seu avô, e escolheu “Canto Para Atabaque”, que abordava a importância do lugar do tambor e das africanias na construção do Brasil.

Esse instrumento traz, em si, a poética ancestral que conecta as múltiplas dimensões da formação do povo brasileiro e da identidade que construímos através dele.

publicidade

A união da poesia, música, imagem e pensamento em torno desse simbolismo torna a nova faixa uma produção extremamente necessária para o atual momento do país.

A música, que já está disponível em todas as plataformas digitais, pode ser escutada em duas versões: a original e a aDUBada. O lançamento também é acompanhado por um vídeo com depoimento de Tiganá e imagens dos bastidores da gravação.

publicidade

Para enriquecer ainda mais a faixa, BaianaSystem convidou seu parceiro de longa data Buguinha DUB, que diretamente do estúdio Mundo Novo em Olinda, mixou e adubou a produção. As gravações foram, enfim, realizadas em Salvador no mês de Novembro por SekoBass e Sebastian Notini.

Na melodia, é a percussão que conduz toda a faixa. O arranjo feito pelo músico Ícaro de Sá, ao lado de Sebastian, utiliza os três atabaques: Rum, Rumpi e Lé, junto com agogô, xequerê e caxixis, num toque de barravento, da tradição do candomblé da Angola. Foi esse o ritmo que forneceu a linha base do arranjo feito por Russo Passapusso e SekoBass, com uma grande referência do reggae.

Para ilustrar a identidade visual da nova produção, o artista baiano Pedro Marighella, neto de Carlos, foi convidado. Ele possui um grande trabalho em artes plásticas, design e música, com uma relação muito forte com a nossa cultura e política.

publicidade

Confira “Canto Para Atabaque”, de BaianaSystem e Tiganá Santana

Letra

Ei bum!
Qui bum-rum!
Qui bum-rum!
Bum! Bumba!
Ei lu!
Qui lu-lu!
Qui lu-lu!
Lumumba!
Ei Brasil!
Ei bumba meu-boi!
“Mansu, manseba,
traz a navalheta
pra fazer a barba
deste maganeta.”
Lá vem beberrão,
lá vem Bastião,
tocando bexiga
em tudo que é gente.
O engenheiro medindo,
empata-samba empatando,
cavalo-marinho
dançando, dançando.
O boi requebrando,
o boi ‘stá morrendo,
o boi levantando,,,
Ei Brasil-africano!
Minha avó era nega haussá,
ela veio foi da África,
num navio negreiro.
Meu pai veio foi da Itália,
operário imigrante.
O Brasil é mestiço,
mistura de índio, de negro, de branco.
Bum! Qui bum-rum! Qui bum-rum! Bum-bum!
Quem fez o Brasil
foi trabalho de negro,
de escravo, de escrava,
com banzo, sem banzo,
mas lá na senzala,
o filão do Brasil
veio de lá foi da África.
Ei bum!
Qui bum-rum!
Qui bum-rum!
Bum! Bumba!
Ei lu!
Qui lu-lu!
Qui lu-lu!
Lumumba!

O que você achou? Siga @mixmebrasil no Instagram para ver mais e deixar seu comentário clicando aqui

Milena Cerqueira

Formada pela Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP), tenho interesse e experiência em jornalismo cultural, comunicação interna e assessoria de imprensa. Na área acadêmica, realizei pesquisa referente ao trabalho de conclusão de curso nas áreas de música e cultura pernambucana.

Veja mais ›
Fechar